O Imperador

15/02/2004 21:54
E agora, José?

"Quero 1%."
"Um?"
"Um, 1%. Topa?"
"Do total?"
"1%."
"Tá bom."
"Tá fechado?"
"Fechado."

O diálogo acima já é notório no noticiário tupiniquim. Desde sexta-feira (13/02) a balbúrdia está instalada na seara petista. As personagens do diálogo são, respectivamente, Waldomiro Diniz e Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira. Ambos são desconhecidos no cenário nacional. Porém, os nomes citados na conversa e o do chefe e amigo de Waldomiro são conhecidos.
Waldomiro era subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência da República. Trabalhava diretamente com Aldo Rebelo, que é quem coordena as negociações entre o Governo e o Congresso. Antes de Rebelo, porém, Waldomiro era chefe da pasta e reportava-se diretamente à seu chefe e, algumas vezes (senão todas) chefe da nação, José Dirceu (ele mesmo, o Cardeal, o Pedro Caroço).
Não vou limitar-me a mais delongas sobre o caso. A descrição acima já basta para a gravidade do caso. José Genoíno, presidente do PT, brada em rede nacional que Waldomiro "não é do PT", que as ações da fita ocorreram "durante a campanha eleitoral" e que "o presidente já tomou as medidas exonerando o funcionário". Genoíno, um homem sempre lúcido e um estandarte da política brasileira errou, e feio. O governo não pode fazer o povo crer que por não ser do PT Waldomiro não tem ligações carnais com o partido. Pelo contrário, podemos até pensar que, justamente por não ser filiado, Waldomiro era a ligação petista com o submundo da propina e do abuso de poder tão condenado pelos petistas.
Quanto a declaração da campanha, Genoíno afirma (sim, afirma) que a eleição pode ter sido sujeita ao famoso jogo de fisiologismo e propina que sempre ocorre durante campanhas eleitorais, tão condenado pelo partido.
E, no que condiz a exoneração, é o primeiro dos passos. Precisamos ainda saber qual o envolvimento dos, à época, candidatos a governador, Geraldo Magella (PT-DF), Benedita da Silva (PT-RJ) e Rosinha Matheus (à época PSB-RJ e hoje no PMDB-RJ), os citados na fita gravada, além, é claro, do comissário Dirceu, amigo e chefe de Waldomiro.
Não podemos negar também o patrulhamento dos concorrentes de Lula durante a eleição. mas não podemos considerar desserviço ao jogo político nacional, pelo contrário. Ciro ou Serra (Garotinho, não esqueçamos, está envolvido junto com um familiar, sua esposa, no caso), os únicos que poderiam ter patrulhado Waldomiro (que tinha um péssimo histórico), se acaso o fizeram, demonstraram com prévia a farsa que um governo petista (que prefiro chamar de governo dos Majoritários, visto que ainda resta esperança à estrela vermelha) vem demonstrando ser.
Enquanto isso, Rebelo diz que a CPI será instaurada, se necessário. Aquela história de feitiço contra o feitceiro. Se coibir a CPI, o PT estará demonstrando que toda uma ideologia, que levou milhões à urna em prol de Lula, nada mais era do que máscaras para, quando o poder visse, serem jogadas ao vento. Se fizer a CPI, faz bem, mas demonstra que outro caso, o do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, que urge de CPI, tem tantos podres quanto o caso Waldomiro.
E quanto à Dirceu, a esse cabe provar sua inocência e demonstrar inépcia quanto ao seu quadro de funcionários, ou demonstrar que é capaz de tantas mostruosidades quanto Cristovm Buarque e Heloísa Helena são capazes de imaginar.
enviada por O Imperador






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